Inclusão: o elefante está na sala!

Sim, matamos um elefante a cada 15 minutos no mundo. E isso é muito triste. Mas o que dizer quando, a cada 12 minutos, uma pessoa negra é morta em nosso país? Ou que, a cada 28 horas, um(a) homossexual é morto em alguma cidade brasileira? Pois é…

Começou hoje a Elephant Parade. São 85 estátuas diferentes, pintadas à mão que ficarão expostas em diversos locais da cidade de São Paulo. A ideia foi criada em 2007 e tem com propósito a conscientização social, uma vez que 33.000 elefantes africanos são mortos a cada ano, o que equivale dizer uma morte a cada 15 minutos.

Defendo (e curto) este tipo de iniciativa. É uma forma lúdica e impactante para se levantar a poeira de um tema importante e se conseguir engajamento. Penso que podíamos usar exemplos como este para suscitar discussões e procurar a atenção e participação efetiva do público para temas que nos rondam e afetam diretamente, como a inclusão social e a equidade de direitos dos grupos ‘minorizados’, como o LGBT+, Negros e Pessoas com Deficiência por exemplo. Para se pensar…

Descrição da imagem: elefante bem colorido, pintado à mão, feito em fibra de vidro, sobre uma plataforma de aço. Possui 1,46 metros de altura por 1,66 metros de comprimento. Está numa calçada. Ao fundo, prédios da Avenida Paulista, em São Paulo.

Foto por Rodrigo Credidio, em 01/08/2017.

‘Pessoas com Eficiências’

No dia 01 de Maio, Dia Internacional do Trabalho, inauguramos uma nova campanha entitulada ‘Pessoas com Eficiências’. E ao longo de todo o mês, traremos mais informações sobre empregabilidade de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Foto do acupinturista e atleta Diego Coelho, que usa cadeira de rodas. Diego tem barba e cabelos castanhos, tem cerca de 30 anos de idade e veste camiseta vermelha e jeans. Ao lado da foto dele, a frase Pessoas com Eficiências.
Diego Coelho, Acupunturista e Atleta
Foto da fisioterapeuta Paula Ferrari, que usa cadeira de rodas. Paula tem cerca de 30 anos de idade, é loira e veste um vestido todo colorido com um colar grande e bonito. Ao lado da foto dela, a frase Pessoas com Eficiências.
Paula Ferrari, Fisioterapeuta

Atualmente no Brasil existem mais de 45 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo último censo realizado pelo IBGE, em 2010. Deste total, um pouco mais de 30 milhões de brasileiros estão em idade ativa, podendo ser contratados por empresas. Em contrapartida, apenas 381 mil pessoas com alguma deficiência estão empregadas formalmente, com carteira assinada. Ou seja, estamos falando que apenas 1% das pessoas com deficiência têm trabalho formal! Mesmo passados 25 anos da Lei de Cotas, que exige que empresas com 100 ou mais funcionários tenham um percentual do seu quadro de funcionários formado por pessoas com alguma deficiência.

Que venham as mudanças, pois é assim que viveremos dias melhores!‪#‎pessoascomeficiencias‬

VÍDEO ‘Pessoas com Eficiências’

Aprender brincando é sempre melhor

Quem não concorda com a frase acima? Quando se está realmente imerso em uma atividade lúdica, temos a capacidade de absorver mais conteúdo e aprender mais rápido. Por isso que a famosa ‘gamificação’ virou palavra de ordem de 8 em cada 10 estratégias de marketing de empresas.

Mas desta vez o caráter é ainda mais nobre. Os famosos brinquedos de montar, até então utilizados com a simples função de entreter crianças e adultos, agora ganha uma nova funcionalidade: a de ensinar crianças cegas ou com baixa visão a ler e escrever. Estamos falando do projeto ‘Braille Bricks’ (tijolinhos Braille). Os relevos característicos de cada peça foram recombinados para dar vida ao alfabeto Braille. Assim, cada tijolinho passa a ser uma letra que, ao ser colocada ao lado de outras, formam palavras e dão vida e significado para milhares de pessoas que estão aprendendo o sistema de leitura através do tato.

Ponto a favor da educação inclusiva. Que mais ideias e projetos como este apareçam mais e mais por aí afora. O mundo está precisando.

Quer ajudar o projeto? Compartilhe este post com a hashtag #BrailleBricksForAll para convencer os fabricantes de brinquedos a produzir esse lindo projeto para crianças do mundo inteiro.

Para saber mais, acesse www.braillebricks.com.br.

 

Heróis Existem

Ao ser convidado para viver novamente a personagem de Tony Stark, o ator Robert Downey Jr não pensou duas vezes. Não, não! Não se trata de uma nova sequência do bem-sucedido longa metragem ‘Homem de Ferro’, mas de uma ação realizada pela Limbitless Solutions, fabricante de braços biônicos de baixo custo – em parceria com a Microsoft OneNote Collective Project. Veja como foi o encontro do herói de metal com o jovem Alex, que possui uma deficiência no seu braço direito.

Quem quiser conhecer o projeto #CollectiveProject, pode acessar o site oficial da Limbitless Solutions. A empresa tem capacitado várias famílias a comprar um braço biônico de baixo custo, feito por impressoras 3D.

 

O descaso da população e o papel das campanhas publicitárias de conscientização

O desrespeito às pessoas com deficiência é um fato mundial. Inerente ao ser humano, penso eu. Sim, em alguns países este desrespeito é menor que em outros, não dá para se generalizar. Sim, eu sei. Mas de qualquer forma, a questão é que existe o descaso e muitas vezes a ignorância da população em relação aos direitos das pessoas com algum tipo de deficiência. Em menor ou maior grau. Esse comportamento apático, e que é replicado todo os dias inconscientemente, acaba virando uma mania, um hábito. De tanto se ignorar o outro, eis que as pessoas com deficiência se tornam estranhas, diferentes e até invisíveis aos olhos das “pessoas normais”. Algo parecido acontece com os mendigos e moradores de rua, que parecem não existir em meio ao vai-e-vem apressado dos engravatados e da corredeira insana de veículos nas vias públicas.

Por isso da importância de se ter campanhas e programas de conscientização a toda hora e de toda forma. Bombardear com mensagens e imagens de forma frequente e massiva, sempre. Para se quebrar um hábito, para fazer com que pessoas que nunca pararam para pensar sobre um determinado assunto comecem a refletir, faz-se mandatória que as mensagens sejam repetidas várias e várias vezes. Não é assim com a publicidade!?! Por que seria diferente em campanhas sociais??!!

E não só isso, as campanhas em prol do bem social precisam ser impactantes, persuasivas. Precisam ser diretas e marcantes. Só assim para gerar barulho e se quebrar o marasmo que toma conta no inconsciente coletivo. Campanhas de conscientização que não tiverem uma veia pulsante e personalidade forte acabam passando desapercebidas nos breaks comerciais, nos semáforos, nos congressos, nos debates.

Neste sentido, gostei muito da campanha produzida para a comissão nacional que defende os direitos das pessoas com deficiência no Perú (Comisión Especial de Discapacidad). Com uma idéia simples mas direto ao ponto, o comercial de 60 segundos consegue passar o recado de forma efetiva. E quero crer que foi bem sucedido no sentido de ‘abalar a estrutura’ do comportamento da população peruana em relação às pessoas com deficiência.

Sinto falta de mais campanhas nesta linha aqui no Brasil. Já vimos campanhas belíssimas no repúdio ao mercado do sexo infantil, na luta contra o fumo, no combate do uso de álcool ao dirigir… mas muito pouco foi criado em pró das pessoas com deficiência. Precisamos de mais campanhas voltadas para um contingente de 45,6 milhões de brasileiros que vivem hoje com algum tipo de deficiência e que convivem com a ignorância e despreparo educacional sobre o tema dos outros 150 milhões!

Abaixo, a campanha que mencionei feita no Perú e mais algumas outras que gosto muito. Também incluo duas campanhas brasileiras maravilhosas: a campanha belíssima feita há alguns anos para a Caixa Federal e APAE e uma outra para a ADD (Associação Desportiva para Deficientes).

BRASIL

PERÚ

PORTUGAL

FRANÇA