Inclusão: o elefante está na sala!

Sim, matamos um elefante a cada 15 minutos no mundo. E isso é muito triste. Mas o que dizer quando, a cada 12 minutos, uma pessoa negra é morta em nosso país? Ou que, a cada 28 horas, um(a) homossexual é morto em alguma cidade brasileira? Pois é…

Começou hoje a Elephant Parade. São 85 estátuas diferentes, pintadas à mão que ficarão expostas em diversos locais da cidade de São Paulo. A ideia foi criada em 2007 e tem com propósito a conscientização social, uma vez que 33.000 elefantes africanos são mortos a cada ano, o que equivale dizer uma morte a cada 15 minutos.

Defendo (e curto) este tipo de iniciativa. É uma forma lúdica e impactante para se levantar a poeira de um tema importante e se conseguir engajamento. Penso que podíamos usar exemplos como este para suscitar discussões e procurar a atenção e participação efetiva do público para temas que nos rondam e afetam diretamente, como a inclusão social e a equidade de direitos dos grupos ‘minorizados’, como o LGBT+, Negros e Pessoas com Deficiência por exemplo. Para se pensar…

Descrição da imagem: elefante bem colorido, pintado à mão, feito em fibra de vidro, sobre uma plataforma de aço. Possui 1,46 metros de altura por 1,66 metros de comprimento. Está numa calçada. Ao fundo, prédios da Avenida Paulista, em São Paulo.

Foto por Rodrigo Credidio, em 01/08/2017.

Confira o ranking completo de praias acessíveis do litoral paulista

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo coordenou um levantamento extenso para avaliar as condições de acesso às praias no litoral paulista. Foram avaliados também a presença de mobiliários adaptados e de hotéis preparados para receber com segurança e conforto os frequentadores. Ao todo, foram avaliadas 223 praias.

A equipe da OAB que visitou as praias foi formada por profissionais das 12 subseções presentes no Estado. Durante as visitas, a equipe procurou avaliar:

  1. presença de informações acessíveis nas praias para todos os tipos de deficiência;
  2. existência de serviços de apoio às pessoas com mobilidade reduzida;
  3. serviço de salva-vidas no local;
  4. informações sobre acessibilidade nas praias nos websites das respectivas prefeituras
  5. existência de estacionamento com vagas exclusivas para pessoas com deficiência;
  6. presença de percursos acessíveis e livres de obstáculos para pedestres até a areia da praia;
  7. acessibilidade nas edificações (instalações) e nos mobiliários (exs: cadeiras de rodas anfíbias para o banho e passeio na praia para as pessoas com mobilidade reduzida, duchas com barras de apoio).
  8. presença de hotéis próximos com acessibilidade.

Após quase três meses de análise e consolidação dos dados, montou-se um ranking das praias mais preparadas para receber banhistas idosos e/ou com alguma deficiência. O primeiro lugar ficou para a praia da Enseada, em Bertioga. Pelo levantamento realizado, a praia conta com informações acessíveis para todos os tipos de deficiência, apoiadores, salva-vidas, vagas exclusivas, percursos para pedestres, sanitários adaptados, postos de primeiros socorros, cadeira de rodas anfíbia, vestiários, duchas e lava-pés. Há também hotéis com acomodações adaptadas e a o site da prefeitura divulga informações ao público sobre acessibilidade.

Trecho da orla da Praia da Enseada, mostrando a areia, calçadões e infra-estrutura de apoio ao banhista.
Orla da Praia da Enseada, Bertioga (São Paulo)

Confira a lista completa das praias que estão melhor preparadas para receber pessoas com deficiência e idosos, no litoral paulista:

1º LUGAR:

Enseada, Bertioga

2º LUGAR:

Guilhermina, Praia Grande

Tupi, Praia Grande

3º LUGAR:

Indaiá, Bertioga

Aviação, Praia Grande

Boqueirão, Praia Grande

Caiçara, Praia Grande

Mirim, Praia Grande

Ocian, Praia Grande

Solemar, Praia Grande

4º LUGAR:

Balneário da Adriana, Ilha Comprida

Boqueirão Norte, Ilha Comprida

Monte Carlo, Ilha Comprida

Ilha Comprida, Ilha Comprida

Guaraú, Peruíbe

Centro, Peruíbe

Canto do Forte, Praia Grande

Balneário Flórida, Praia Grande

Fonte: G1 / Foto: Jornal da Baixada

Aeroportos melhoram acessibilidade às aeronaves

Conforme previsto pela LBI – Lei Brasileira da Inclusão (13.146/15), em seu Capítulo X que trata dos direitos ao transporte, “o direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, por meio de identificação e de eliminação de todos os obstáculos e barreiras ao seu acesso” (art 46). E ainda especifica que, “para fins de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo, em todas as jurisdições, consideram-se como integrantes desses serviços os veículos, os terminais, as estações, os pontos de parada, o sistema viário e a prestação do serviço”. Resumindo, é obrigatório que tanto a estrutura dos aeroportos quanto os serviços prestados por companhias aéreas (ex: Gol) e empresas aeroportuárias (ex: Infraero) tenham acessibilidade. Existe inclusive uma Resolução da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), que regula o tema da acessibilidade nos aeroportos, desde a chegada do passageiro até sua saída no aeroporto de destino.

Uma das grandes discussões que ainda persistem é a questão do embarque na aeronave. Nem sempre é possível que ela seja feita por tecnologia assistiva (ambulift ou finger). Para alguns aeroportos de São Paulo, a coisa vai melhorar. Isso porque a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência acaba de adquirir 7 ambulifts, são veículos adaptados com uma plataforma elevatória, capazes de transportar pessoas com dificuldade de locomoção até o avião. Segundo informações da Secretaria, cada equipamento custou aproximadamente R$ 214 mil.

Os aeroportos que passarão a contar com este importante item de acessibilidade são:  Ribeirão Preto, Bauru, Presidente Prudente, Marília, São José do Rio Preto, Araçatuba e Araraquara.

Funcionário do aeroporto empurra pessoa em cadeira de rodas para embarcar no ambulift, que tem cor amarela . ambulift estacionado na pista de decolagem

Fonte: Portal do Estado de São Paulo

Para a Microsoft, acessibilidade é estratégica

Há cerca de algumas semanas, a Microsoft anunciou recursos inovadores de acessibilidade dos seus serviços. Vem por aí novidades tanto no Windows 10 quanto no seu Office 365.

No final de Novembro, em sua sede em Nova York, a Microsoft realizou evento para comunicar o nome da sua próxima grande atualização do Windows 10: Creators Update. A atualização será gratuita para usuários do OS e estará disponível no início de 2017, ainda sem uma data específica. A lista de novidades é vasta. Vai desde uma integração amigável com Skype até a disponibilização gratuita de um programa que cria música.

homem de chapéu e camiseta rosa segura tablet com uma de suas mãos na frente do seu rosto e com a outra mão, um outro tablet ao lado da cabeça. No canto inferior, uma tela de notebook. Em todas as três telas a imagem exibida é a mesma que o fundo: um céu azul cheio de nuvens.
homem de chapéu e camiseta rosa segura tablet com uma de suas mãos na frente do seu rosto e com a outra mão, um outro tablet ao lado da cabeça. No canto inferior, uma tela de notebook. Em todas as três telas a imagem exibida é a mesma que o fundo: um céu azul cheio de nuvens.

 

O mais bacana dessa história toda é que, concomitante ao desenvolvimento e implementação de um monte novas funcionalidades, a empresa tem olhado com muita atenção e profissionalismo para as questões relacionadas à acessibilidade. Para a empresa americana, é obrigação que seus serviços estejam acessíveis a toda e qualquer pessoa deste globo. Acessibilidade não é apêndice, mas algo que está no âmago do seu ‘business’. Saber e reconhecer que existem milhões de pessoas diversas, com suas características e diferenças próprias, fez com que a diversidade humana virasse parte importante da estratégia global da companhia e da sua cultura organizacional. Basta conhecer um pouco sobre a maneira com que Paula Bellizia, Gerente Geral da Microsoft no Brasil, encara a diversidade e a acessibilidade no âmbito dos negócios. Em matéria sobre diversidade e inovação publicada no início deste ano, Bellizia frisa: “O respeito ao outro, às diferenças, é fundamental para se abrir para as ideias, que se somam às suas e propiciam a criatividade e inovação”. Este tem sido o tom dado pela empresa quando o assunto é discutir a importância do acesso e da participação de todas as pessoas, sem exceção, ao mundo Microsoft. Se melhorias contínuas em seus serviços é considerado um pilar estratégico, nada mais coerente que levar a temática da diversidade e do acesso universal para o centro da mesa.

Windows 10 Creators Update

Abaixo, quatro das várias novidades que devem chegar aos usuários no começo do ano que vem:

Braille
O suporte preliminar para Braille será introduzido com o Windows 10 Creators Update. A atualização suportará telas em Braille de mais de 35 fabricantes e mais de 40 idiomas.

Instalação sem assistência
Os usuários poderão instalar o Windows 10 Creators Update usando o Narrador, que poderá ser usado durante todo o processo de instalação.

Novas formas de abrir o Narrador
Mudaram-se as teclas de acesso rápido ao Narrador, em resposta aos comentários de muitos usuários do software. O Narrador agora poderá ser aberto pressionando as teclas Ctrl + Winkey + Enter, ao invés de Winkey + Enter. Também será possível abrir o Narrador usando a Cortana ou o aplicativo ‘Configurações’. (Para quem não sabe, ‘Cortana’ equivale à Siri, da Apple, ou ao Google Now, do Android).

Texto e voz
Haverá 10 novas vozes nessa nova versão. O Narrador também suportará a leitura em múltiplos idiomas, podendo alternar entre diferentes idiomas.

Office 365

No caso específico do Office 365, os novos recursos de acessibilidade contam com um elemento surpresa que deixou todos curiosos. Trata-se do emprego de inteligência artificial.

Por exemplo, um recurso que os usuários do Microsoft Word e do PowerPoint passarão a ter é a sugestão automática de legendas para imagens e slides, denominadas de “alt-text”. Para pessoas cegas, um dos grandes problemas são materiais digitais que não contemplam a descrição de imagens, gráficos e fotos. Quando não existe este recurso, os softwares que ‘lêem” a tela simplesmente passam batido e o usuário cego não sabe do que se trata aquela determinada imagem ou gráfico.

O recurso de ‘legendagem’ de imagens, slides, fotos e gráficos estará disponível a partir do próximo ano, sem data definida. A Microsoft também diz que irá melhorar a navegação de leitores de tela e que haverá a possibilidade de ajustar fontes e cores na tela para facilitar a leitura por parte de pessoas com baixa visão ou daltonismo.

Projeto praia acessível chega ao litoral baiano

Neste final de semana, a Associação Baiana de Equoterapia (ABAE) lançou o projeto ‘Cavalo Marinho’, que oferece banho de mar assistido e várias outras atividades lúdicas para as famílias com pessoas com alguma deficiência. O projeto está localizado na praia de Itapuã, em Salvador, na Rua K, a partir das 8:30h. As pessoas interessadas podem telefonar no número (71) 3249-0599 e realizar a inscrição. Além do banho de mar, o projeto oferece a prática de stand up, passeio de bote, banho com cadeira anfíbio, futebol de areia, entre outras atividades lúdicas. O projeto já nasce com uma grande número de adesões: já conta com mais de 250 crianças e jovens cadastrados.
Há 26 anos, a ABAE, em parceria com a Polícia Militar da Bahia (Esquadrão da Polícia Montada), promove a utilização do cavalo como tratamento equoterápico para crianças e adolescentes com deficiência. Agora, com o apoio adicional do FMDCA (Fundo Municipal da Criança e Adolescente), do CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente) e da SEMPS (Secretaria Municipal de Promoção Social),  a ABAE expande as atividades para as praias da capital baiana através da talassoterapia, que é o tratamento terapêutico baseado nos recursos do ambiente marinho para promoção da saúde, do bem estar físico e mental, assim como do fortalecimento de vínculos familiares.
Para maiores informações sobre o projeto e demais atividades, acessar o blog da Associação em http://equoterapiabahia.blogspot.com.br/
Vida longa ao Cavalo Marinho!

Aprenda a fazer sites e conteúdo web com acessibilidade WCAG 2.0

globo terrestre estilizado em cinza com vários ícones brancos alusivos à tecnologia girando em torno dele. Ao lado direito, escrito em branco sobre fundo azul: Cursos Abridef 2016. Na parte debaixo, em maiúsculas brancas e fundo azul, está escrito acessibilidade digital

ACESSIBILIDADE DIGITAL agora é lei!
Você está preparado?

A Good Bros, em parceria com a ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência – apresenta uma seleção de treinamentos sobre inclusão e acessibilidade para que você possa estar por dentro de toda essa transformação com a nova Lei Brasileira de Inclusão – LBI.

No dia 11 de Agosto, das 9h às 17h, o primeiro curso abordará o tema da “Acessibilidade Digital” e é dirigido àqueles profissionais e empresas que desejam se capacitar quanto às diretrizes internacionais e melhores práticas do W3C sobre acessibilidade em sites e peças web.

Conteúdo Programático:

  • Introdução a Acessibilidade Digital: O que é, para quem e porquê?;
  • Benefícios para agência, cliente e público-alvo;
  • Acessibilidade e suas facetas em relação ao Designer, Usabilidade, Arquitetura da Informação, dentre outros;
  • Técnicas para criação de sites acessíveis;
  • Validando a acessibilidade do seu site antes de publicá-la.

O curso será ministrado por Rodrigo Credidio, empreendedor social e sócio-fundador da Good Bros, e por Luiz Henrique Volso, Front End Developer e especialista em desenvolvimento web acessível.

Credidio é formado em Marketing pela ESPM e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV, acumula 20 anos de experiência em branding, comunicação e estratégia off e on, com passagens em empresas multinacionais e agências de publicidade. Formado pelo Empretec, treinamento da ONU focado em comportamento empreendedor. Um dos criadores do aplicativo Biomob, guia de locais acessíveis.

Volso é web development specialist em websites acessíveis. Formado em Engenharia, pela Universidade Estadual de Londrina, e também em Desenvolvimento de Sites com Padrões Web, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Volso é dedicado ao estudo e desenvolvimento de ferramentas informacionais acessíveis, com base em Dados Abertos Governamentais. É ainda especialista em Web Standards, Usabilidade e Acessibilidade. Ganhador de vários prêmios do Todos@Web, maior Prêmio Nacional de Acessibilidade Digital.

 

Close de duas mãos sobre um teclado de computador portátil na cor preta

Curso ‘Acessibilidade Digital’

QUANDO: 11/08/16
HORÁRIO: das 9h às 17h
ONDE: Sede da ABRIDEF – Office Park – Centro de Convenções, situado na Av. Queiroz Filho, 1700 – Vila Lobos, São Paulo

Informações e inscrições pelos telefones abaixo ou pelo email contato@abridef.org.br.

Fone: (11) 3445-2373
Fone: (11) 9 8692-2463

Agora é lei: todo website precisa ter acessibilidade

Ao contrário do que muitos pensam, a quantidade de brasileiros com alguma deficiência não é pequena. Não é um ‘nicho’ de mercado. Segundo o IBGE, os números são surpreendentes:

6,5 milhões de pessoas cegas ou com baixa visão;
13 milhões com alguma deficiência motora, incluindo baixa mobilidade de membros superiores;
9,7 milhões com deficiência auditiva e que muitas vezes só conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras);
2,5 milhões de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual.

O problema é que as cidades brasileiras ainda não estão prontas para incluir as pessoas com deficiência e oferecer a elas as condições necessárias para o exercício dos seus direitos, seja perante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja perante à Constituição Federal de 1988, seja à qualquer coisa. Calçadas mal conservadas e executadas, rampas inexistentes ou mal projetadas, assentos escassos para pessoas obesas e assim por diante. Se a discussão fosse apenas sobre as barreiras físicas, seria uma coisa. O problema é que vivemos todos os dias sob a égide do ‘jeitinho brasileiro’ que em muitas vezes carrega de forma velada uma visão preconceituosa a cerca da pessoa com deficiência. O melhor exemplo disso é o famoso “vou estacionar apenas um minutinho nessa vaga exclusiva para pessoas com deficiência”. Em apenas ‘um minutinho”, ferimos sem pestanejar um dos direitos assegurados por lei à pessoa com deficiência.

Foto preta e branca de uma placa de rua, com Símbolo Internacional de Acessibilidade (pessoa em cadeira de rodas)

Em relação aos meios de comunicação, os desafios de se eliminar barreiras não é diferente. Canais de TV, revistas, jornais, websites.. Quantos websites, sejam eles institucionais ou de comércio eletrônico, de marcas ou empresas, são acessíveis por todos? Uma pesquisa do W3C (World Wide Web Consortium) mostrou que apenas 2% das páginas da web são acessíveis pelo universo de pessoas com deficiência.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/15), que começou a vigorar em Janeiro de 2016, “é obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente”.

IDOSOS
Não podemos deixar de fora o contingente de pessoas que já passaram dos 60 anos de idade. Em 2010, existiam 20,5 milhões de idosos no Brasil. E juntamente com a idade, chegam às vezes algumas doenças que podem acomete total ou parte dos nossos sentidos. É o caso de uma diabetes não controlada, de uma catarata, de uma sarcopenia (perda de massa e força da musculatura).
Segundo projeções, até 2020, seremos mais de 30 milhões de pessoas com 60 ou mais anos de idade. Um crescimento vertiginoso de 50% em apenas 10 anos! É fato que, graças aos avanços da medicina e à melhora na qualidade de vida, estamos vivendo mais e melhor! Em suma, dentro de alguns anos, teremos muitos idosos vivendo ativamente e totalmente conectados às tecnologias móveis e internet. De acordo com uma pesquisa realizada pela Telehelp, 66% dos idosos brasileiros usam regularmente a internet e 45% afirmaram fazer compras online regularmente.

Close nas mãos de um homem idoso, que está de pé, de frente para a câmera, apoiado em uma bengala. Vemos aliança de casado e que o homem veste calça social bege e camisa xadrez marrom e branca
Close nas mãos de um homem idoso, que está de pé, de frente para a câmera, apoiado em uma bengala. Vemos aliança de casado e que o homem veste calça social bege e camisa xadrez marrom e branca

Os fabricantes de produtos, prestadores de serviços, órgãos governamentais, agências digitais e de publicidade, veículos de comunicação… todos precisam despertar de uma vez por todos que existe um mar de gente crescendo todo ano e que anseia por seu direito de irem e virem quando bem entenderem, de acessarem conteúdo web quando e como desejarem e assim por diante. Além do aspecto de direitos humanos, não esqueçamos do aspecto capitalista e financeiro. Afinal de contas, estamos falando de pessoas que viajam, estudam, saem para jantar, compram pela internet, pagam contas pelo celular… Quando as empresas começarem a enxergar nas pessoas com deficiência e mobilidade reduzida potenciais clientes e consumidores de suas marcas, produtos e serviços, talvez assim acelere o processo de acessibilização como um todo e as barreiras, físicas e virtuais, caiam por terra.

Quais as Melhores Empresas para Pessoas com Deficiência Trabalharem?

Mãos de mulher sobre o teclado de um notebook prata. Aparenta ser uma situação de trabalho.
Mãos de mulher sobre o teclado de um notebook prata. Aparenta ser uma situação de trabalho.

Imagine o seguinte: você quer trabalhar em uma empresa que valoriza a diversidade, a pessoa com deficiência. Ou então gostaria de fazer negócios com uma empresa que não apenas respeita os direitos de todos mas que possui iniciativas reais que valorizam e estimulam as pessoas com alguma deficiência a crescerem pessoal e profissionalmente. A pergunta para ambas as situações seria: “essas empresa existem? quem são elas?”.

As empresas multinacionais, principalmente as de origem norte-americana, estão cada vez mais enxergando valor em contratar e manter pessoas com deficiência em seus quadros de funcionários. É sabido que, quanto mais diverso e heterogêneo for a organização, mais rica e humana será a sua cultura. Sabendo disso, o maior provedor de conteúdo web e impresso dedicado à diversidade, chamado DiversityInc, realiza há alguns anos uma avaliação bastante criteriosa e baseada em indicadores para montar um ranking das empresas ‘amigas da pessoa com deficiência’.

Para se tornar candidata potencial a uma vaga dentre as TOP 50, a empresa deve antes de mais nada passar pelo crivo de um extenso questionário que aborda determinadas áreas de avaliação. Vários fatores determinarão se a empresa é adepta ou não das melhores práticas de gestão relacionadas ao assunto. Saibam, por exemplo, 6 boas práticas de uma empresa que respeita e valoriza pessoas com deficiência, de acordo com a DiversityInc:

  1. O website da empresa tem acessibilidade e comunica vagas e oportunidade de trabalho sem segregar, discriminar e/ou restringir quaisquer candidatos que apresentem alguma deficiência, seja ela de qual natureza for;
  2. O processo de recrutamento, que envolve o preenchimento de formulários e envios de informações, é totalmente acessível e inclusivo, permitindo que qualquer pessoa consiga realizar as solicitações com autonomia;
  3. A empresa possui infra-estrutura acessível ou com adaptações razoáveis;
  4. A empresa tem o hábito de detectar oportunidades em outras áreas, além das operacionais, como contratação de pessoas com deficiência. Como por exemplo, vagas na força de vendas, posições para nível gerencial, para trabalhos voluntários ou como ‘jovem aprendiz’;
  5. A presença de ao menos uma pessoa com deficiência em departamentos ou células de trabalho está auxiliando na construção de um clima organizacional inclusivo;
  6. Percentual de gastos e despesas com fornecedores cujos proprietários são pessoas com deficiência ou veteranos de guerra.

Para a edição 2016, a DiversityInc analisou informações de mais de 1.800 empresas. Confira a seguir as 9 melhores empresas para pessoas com deficiência trabalharem.

1  Northrop Grumman
2  Lockheed Martin Corporation
3  EY
4  Comcast NBCUniversal
5  Accenture
6  Sodexo
7  Prudential Financial
8  Monsanto
9  The Hartford Financial Services Group

Empregabilidade ainda deficiente

A Pesquisa ‘Expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho’ já está na sua segunda edição. Realizado pela consultoria i.Social juntamente com a ABRH e a Catho, o estudo ouviu 1.519 profissionais de RH. Os resultados melhoraram em relação a 2014 mas ainda sim são alarmantes. Uma das constatações é que apenas 4% dos entrevistados disseram não conhecer a Lei de Cotas. O desconhecimento caiu pela metade, já que em 2014, na primeira edição da pesquisa, o índice foi de 8%. Mas apenas 48% dos entrevistados afirmaram ter bom conhecimento sobre a Lei de Cotas, mesmo passados 25 anos de existência desta lei que obriga que toda empresa com 100 funcionários ou mais tenha um percentual de pessoas com deficiências no seu quadro de funcionários.

Homem de meia idade em uma cadeira de rodas olha para o horizonte, através de uma vidraça. Ele está com roupas formais e parce estar em uma empresa.

A pesquisa ainda um indica a falta de informação e de preparo por parte de alguns gestores de RH. Em torno de 65% dos RHs ouvidos já entrevistaram PcDs e, destes, 54% não se sentem bem preparados para tal função. Ainda, quando foram perguntados sobre sua capacidade de oferecer suporte aos gestores de PcDs, 59% afirmaram que não estão bem preparados.

Outro resultado que chama a atenção diz respeito à receptividade dos gestores para com os candidatos com deficiência: 67% dos RHs afirmaram que os gestores possuem resistência em entrevistar ou contratar PcDs. E 93% dos pesquisados consideram que os gestores necessitam de mais informações sobre contratação e gerenciamento de PcDs, revelando que ainda existem muita falta de informação, muito preconceito e barreiras comportamentais quando o assunto é empregabilidade de PcDs.

Tenha acesso à pesquisa completa no link a seguir. Expectativas e Percepções do Mercado de Trabalho para PcD 2015

‘Pessoas com Eficiências’

No dia 01 de Maio, Dia Internacional do Trabalho, inauguramos uma nova campanha entitulada ‘Pessoas com Eficiências’. E ao longo de todo o mês, traremos mais informações sobre empregabilidade de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Foto do acupinturista e atleta Diego Coelho, que usa cadeira de rodas. Diego tem barba e cabelos castanhos, tem cerca de 30 anos de idade e veste camiseta vermelha e jeans. Ao lado da foto dele, a frase Pessoas com Eficiências.
Diego Coelho, Acupunturista e Atleta
Foto da fisioterapeuta Paula Ferrari, que usa cadeira de rodas. Paula tem cerca de 30 anos de idade, é loira e veste um vestido todo colorido com um colar grande e bonito. Ao lado da foto dela, a frase Pessoas com Eficiências.
Paula Ferrari, Fisioterapeuta

Atualmente no Brasil existem mais de 45 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo último censo realizado pelo IBGE, em 2010. Deste total, um pouco mais de 30 milhões de brasileiros estão em idade ativa, podendo ser contratados por empresas. Em contrapartida, apenas 381 mil pessoas com alguma deficiência estão empregadas formalmente, com carteira assinada. Ou seja, estamos falando que apenas 1% das pessoas com deficiência têm trabalho formal! Mesmo passados 25 anos da Lei de Cotas, que exige que empresas com 100 ou mais funcionários tenham um percentual do seu quadro de funcionários formado por pessoas com alguma deficiência.

Que venham as mudanças, pois é assim que viveremos dias melhores!‪#‎pessoascomeficiencias‬

VÍDEO ‘Pessoas com Eficiências’