Conheça mais de 200 Praias Acessíveis

Em Fevereiro, escrevemos um artigo sobre o levantamento e ranking das praias mais bem preparadas para receber pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida no Litoral Paulista. Se você não se lembra ou não leu, confira nosso post clicando neste link.

Desta vez, trouxemos novidades vindas além do Atlântico, “lá da terrinha” onde vive a amistosa e querida nação portuguesa. O Programa Praia Acessível – Praia para Todos, uma iniciativa de vários órgãos públicos municipais e estaduais portugueses, completou no ano passado 12 anos de existência e realizou nova avaliação das suas praias. Nesta última edição, o Programa premiou 209 praias, que receberam um certificado de acessibilidade.

Assim como a versão paulista, o formulário de avaliação levou em conta uma série de itens para finalmente determinar se as praias eram ou não acessíveis. A bateria de requisitos obrigatórios que determinaram se a praia era ou não “acessível” foi composta pelos seguintes fatores:

  1. Acesso ao pedestre: fácil e livre de obstáculos, a partir da via pública até uma entrada acessível da praia;
  2. Estacionamento Exclusivo: existência de vagas reservadas para embarque e desembarque de pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida, o mais próximo possível do acesso à praia;
  3. Rotas acessíveis: percursos totalmente livre de obstáculos e de interrupções na área da areia, que inclua faixas de pedestre e percursos devidamente pavimentados, firmes e contínuos. Existindo desníveis, os degraus têm que ser complementados por rampas suaves e/ou meios mecânicos acessíveis (ex: plataformas).
  4. Infra-estrutura de apoio: existência de área e recursos destinados a banhos de sol (chapéus de sol, toldos, barracas) e o mais próximo possível do mar; sanitários adaptados; posto de primeiros socorros acessível; guarda-vidas;
  5. Acessibilidade nas informações ao público: na entrada da praia e nas páginas do website da prefeitura, informando sobre as condições de acessibilidade e os serviços de apoio disponíveis às pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida.

Durante o levantamento de 2016, observaram-se alguns exemplos de boas práticas que, embora não sendo de cumprimento obrigatório, melhoram inquestionavelmente as condições de usufruto das praias. São eles:

  • Equipamentos anfíbios para o banho e/ou o passeio na praia
  • Espaço coberto para descanso e/ou leitura
  • Vestiários, duchas, bebedouros e lava-pés acessíveis
  • Bares, restaurantes e lojas com arquitetura acessível
  • Atividades lúdicas e inclusivas

Ficou interessado(a) em saber quais praias fazem parte do Programa Praia Acessível? Então clique no link a seguir e conheça todas os 209 nomes e suas localizações: PRAIAS ACESSÍVEIS. Abaixo, fotos de algumas das praias e de suas estruturas.

Rampa de 3 segmentos, feita em madeira. Ao fundo, mar e céu azul.
Praia de Vilamoura, em Loulé, Portugal
Duas cadeiras anfíbias na areia e uma trilha em madeira indo até o mar
Praia de Valadares Sul, em Vila Nova de Gaia,Portugal
Banheiro adaptado sobre a areia, com acesso por intermédio de um deck de madeira com corrimão
Praia da Luz, em Lagos, Portugal
Trajeto em concreto liso e retilíneo da areia da praia até o mar. À direita, uma tenda de madeira com duas cadeiras anfíbias.
Praia da Conceição, em Cascais, Portugal
Deck de madeira em formato de letra T invertida, sobre areia. Ao fundo, um guarda-sol de palha, uma espreguiçadeira e o mar azul.
Praia da Comporta, em Grândola, Portugal
Vista aérea dos jardins, da rampa e do canal à esquerda. Ao fundo, um pequeno chafariz.
Praia da Pampilhosa da Serra, em Pampilhosa da Serra, Portugal

 

 

Fonte: Instituto Nacional para Reabilitação, Portugal

Confira o ranking completo de praias acessíveis do litoral paulista

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo coordenou um levantamento extenso para avaliar as condições de acesso às praias no litoral paulista. Foram avaliados também a presença de mobiliários adaptados e de hotéis preparados para receber com segurança e conforto os frequentadores. Ao todo, foram avaliadas 223 praias.

A equipe da OAB que visitou as praias foi formada por profissionais das 12 subseções presentes no Estado. Durante as visitas, a equipe procurou avaliar:

  1. presença de informações acessíveis nas praias para todos os tipos de deficiência;
  2. existência de serviços de apoio às pessoas com mobilidade reduzida;
  3. serviço de salva-vidas no local;
  4. informações sobre acessibilidade nas praias nos websites das respectivas prefeituras
  5. existência de estacionamento com vagas exclusivas para pessoas com deficiência;
  6. presença de percursos acessíveis e livres de obstáculos para pedestres até a areia da praia;
  7. acessibilidade nas edificações (instalações) e nos mobiliários (exs: cadeiras de rodas anfíbias para o banho e passeio na praia para as pessoas com mobilidade reduzida, duchas com barras de apoio).
  8. presença de hotéis próximos com acessibilidade.

Após quase três meses de análise e consolidação dos dados, montou-se um ranking das praias mais preparadas para receber banhistas idosos e/ou com alguma deficiência. O primeiro lugar ficou para a praia da Enseada, em Bertioga. Pelo levantamento realizado, a praia conta com informações acessíveis para todos os tipos de deficiência, apoiadores, salva-vidas, vagas exclusivas, percursos para pedestres, sanitários adaptados, postos de primeiros socorros, cadeira de rodas anfíbia, vestiários, duchas e lava-pés. Há também hotéis com acomodações adaptadas e a o site da prefeitura divulga informações ao público sobre acessibilidade.

Trecho da orla da Praia da Enseada, mostrando a areia, calçadões e infra-estrutura de apoio ao banhista.
Orla da Praia da Enseada, Bertioga (São Paulo)

Confira a lista completa das praias que estão melhor preparadas para receber pessoas com deficiência e idosos, no litoral paulista:

1º LUGAR:

Enseada, Bertioga

2º LUGAR:

Guilhermina, Praia Grande

Tupi, Praia Grande

3º LUGAR:

Indaiá, Bertioga

Aviação, Praia Grande

Boqueirão, Praia Grande

Caiçara, Praia Grande

Mirim, Praia Grande

Ocian, Praia Grande

Solemar, Praia Grande

4º LUGAR:

Balneário da Adriana, Ilha Comprida

Boqueirão Norte, Ilha Comprida

Monte Carlo, Ilha Comprida

Ilha Comprida, Ilha Comprida

Guaraú, Peruíbe

Centro, Peruíbe

Canto do Forte, Praia Grande

Balneário Flórida, Praia Grande

Fonte: G1 / Foto: Jornal da Baixada

Aeroportos melhoram acessibilidade às aeronaves

Conforme previsto pela LBI – Lei Brasileira da Inclusão (13.146/15), em seu Capítulo X que trata dos direitos ao transporte, “o direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, por meio de identificação e de eliminação de todos os obstáculos e barreiras ao seu acesso” (art 46). E ainda especifica que, “para fins de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo, em todas as jurisdições, consideram-se como integrantes desses serviços os veículos, os terminais, as estações, os pontos de parada, o sistema viário e a prestação do serviço”. Resumindo, é obrigatório que tanto a estrutura dos aeroportos quanto os serviços prestados por companhias aéreas (ex: Gol) e empresas aeroportuárias (ex: Infraero) tenham acessibilidade. Existe inclusive uma Resolução da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), que regula o tema da acessibilidade nos aeroportos, desde a chegada do passageiro até sua saída no aeroporto de destino.

Uma das grandes discussões que ainda persistem é a questão do embarque na aeronave. Nem sempre é possível que ela seja feita por tecnologia assistiva (ambulift ou finger). Para alguns aeroportos de São Paulo, a coisa vai melhorar. Isso porque a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência acaba de adquirir 7 ambulifts, são veículos adaptados com uma plataforma elevatória, capazes de transportar pessoas com dificuldade de locomoção até o avião. Segundo informações da Secretaria, cada equipamento custou aproximadamente R$ 214 mil.

Os aeroportos que passarão a contar com este importante item de acessibilidade são:  Ribeirão Preto, Bauru, Presidente Prudente, Marília, São José do Rio Preto, Araçatuba e Araraquara.

Funcionário do aeroporto empurra pessoa em cadeira de rodas para embarcar no ambulift, que tem cor amarela . ambulift estacionado na pista de decolagem

Fonte: Portal do Estado de São Paulo

Projeto praia acessível chega ao litoral baiano

Neste final de semana, a Associação Baiana de Equoterapia (ABAE) lançou o projeto ‘Cavalo Marinho’, que oferece banho de mar assistido e várias outras atividades lúdicas para as famílias com pessoas com alguma deficiência. O projeto está localizado na praia de Itapuã, em Salvador, na Rua K, a partir das 8:30h. As pessoas interessadas podem telefonar no número (71) 3249-0599 e realizar a inscrição. Além do banho de mar, o projeto oferece a prática de stand up, passeio de bote, banho com cadeira anfíbio, futebol de areia, entre outras atividades lúdicas. O projeto já nasce com uma grande número de adesões: já conta com mais de 250 crianças e jovens cadastrados.
Há 26 anos, a ABAE, em parceria com a Polícia Militar da Bahia (Esquadrão da Polícia Montada), promove a utilização do cavalo como tratamento equoterápico para crianças e adolescentes com deficiência. Agora, com o apoio adicional do FMDCA (Fundo Municipal da Criança e Adolescente), do CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente) e da SEMPS (Secretaria Municipal de Promoção Social),  a ABAE expande as atividades para as praias da capital baiana através da talassoterapia, que é o tratamento terapêutico baseado nos recursos do ambiente marinho para promoção da saúde, do bem estar físico e mental, assim como do fortalecimento de vínculos familiares.
Para maiores informações sobre o projeto e demais atividades, acessar o blog da Associação em http://equoterapiabahia.blogspot.com.br/
Vida longa ao Cavalo Marinho!

Agora é lei: todo website precisa ter acessibilidade

Ao contrário do que muitos pensam, a quantidade de brasileiros com alguma deficiência não é pequena. Não é um ‘nicho’ de mercado. Segundo o IBGE, os números são surpreendentes:

6,5 milhões de pessoas cegas ou com baixa visão;
13 milhões com alguma deficiência motora, incluindo baixa mobilidade de membros superiores;
9,7 milhões com deficiência auditiva e que muitas vezes só conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras);
2,5 milhões de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual.

O problema é que as cidades brasileiras ainda não estão prontas para incluir as pessoas com deficiência e oferecer a elas as condições necessárias para o exercício dos seus direitos, seja perante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja perante à Constituição Federal de 1988, seja à qualquer coisa. Calçadas mal conservadas e executadas, rampas inexistentes ou mal projetadas, assentos escassos para pessoas obesas e assim por diante. Se a discussão fosse apenas sobre as barreiras físicas, seria uma coisa. O problema é que vivemos todos os dias sob a égide do ‘jeitinho brasileiro’ que em muitas vezes carrega de forma velada uma visão preconceituosa a cerca da pessoa com deficiência. O melhor exemplo disso é o famoso “vou estacionar apenas um minutinho nessa vaga exclusiva para pessoas com deficiência”. Em apenas ‘um minutinho”, ferimos sem pestanejar um dos direitos assegurados por lei à pessoa com deficiência.

Foto preta e branca de uma placa de rua, com Símbolo Internacional de Acessibilidade (pessoa em cadeira de rodas)

Em relação aos meios de comunicação, os desafios de se eliminar barreiras não é diferente. Canais de TV, revistas, jornais, websites.. Quantos websites, sejam eles institucionais ou de comércio eletrônico, de marcas ou empresas, são acessíveis por todos? Uma pesquisa do W3C (World Wide Web Consortium) mostrou que apenas 2% das páginas da web são acessíveis pelo universo de pessoas com deficiência.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/15), que começou a vigorar em Janeiro de 2016, “é obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente”.

IDOSOS
Não podemos deixar de fora o contingente de pessoas que já passaram dos 60 anos de idade. Em 2010, existiam 20,5 milhões de idosos no Brasil. E juntamente com a idade, chegam às vezes algumas doenças que podem acomete total ou parte dos nossos sentidos. É o caso de uma diabetes não controlada, de uma catarata, de uma sarcopenia (perda de massa e força da musculatura).
Segundo projeções, até 2020, seremos mais de 30 milhões de pessoas com 60 ou mais anos de idade. Um crescimento vertiginoso de 50% em apenas 10 anos! É fato que, graças aos avanços da medicina e à melhora na qualidade de vida, estamos vivendo mais e melhor! Em suma, dentro de alguns anos, teremos muitos idosos vivendo ativamente e totalmente conectados às tecnologias móveis e internet. De acordo com uma pesquisa realizada pela Telehelp, 66% dos idosos brasileiros usam regularmente a internet e 45% afirmaram fazer compras online regularmente.

Close nas mãos de um homem idoso, que está de pé, de frente para a câmera, apoiado em uma bengala. Vemos aliança de casado e que o homem veste calça social bege e camisa xadrez marrom e branca
Close nas mãos de um homem idoso, que está de pé, de frente para a câmera, apoiado em uma bengala. Vemos aliança de casado e que o homem veste calça social bege e camisa xadrez marrom e branca

Os fabricantes de produtos, prestadores de serviços, órgãos governamentais, agências digitais e de publicidade, veículos de comunicação… todos precisam despertar de uma vez por todos que existe um mar de gente crescendo todo ano e que anseia por seu direito de irem e virem quando bem entenderem, de acessarem conteúdo web quando e como desejarem e assim por diante. Além do aspecto de direitos humanos, não esqueçamos do aspecto capitalista e financeiro. Afinal de contas, estamos falando de pessoas que viajam, estudam, saem para jantar, compram pela internet, pagam contas pelo celular… Quando as empresas começarem a enxergar nas pessoas com deficiência e mobilidade reduzida potenciais clientes e consumidores de suas marcas, produtos e serviços, talvez assim acelere o processo de acessibilização como um todo e as barreiras, físicas e virtuais, caiam por terra.