Fusão da bandeira da China com ícones de acessibilidade, que representam todas as deficiências

O que a China tem feito para acelerar o processo de inclusão

O governo chinês acaba de assinar uma nova regulamentação cujos objetivos são o de reduzir os casos de deficiência e o de aprimorar os serviços de reabilitação. Isto é pensar preventiva e pró-ativamente na saúde de seus cidadãos. 

Mas você talvez pense: “Mas é claro, com tanta gente vivendo no país, e com muitas pessoas de idade, tinha que se ter uma legislação dessas mesmo!”. Não é bem assim. É fato que a China congrega sozinha mais de 1,3 bilhões dos 7,2 bilhões de pessoas que vivem no globo terrestre. Sim, é muita gente. Mas o percentual de idosos e pessoas com deficiência são pequenos!

Para começar, o percentual de pessoas acima dos 65 anos de idade é de apenas 9%. No Brasil, este percentual gira na casa de 10%. E você achando que a China é um país velho! rs

Agora pasme. A quantidade de pessoas com deficiência que vivem na China é de apenas 85 milhões! Oi?! Sério? Sério. Também assustei quando vi os números. Em outras palavras, apenas 6,5% dos chineses têm alguma deficiência. Isto não é nada perto dos quase 14% de média Global e de 25% no Brasil! Atualmente, já temos mais de 45 milhões de pessoas vivendo em solo brasileiro com pelo menos uma das deficiências.

Chinês com cerca de 45 anos de idade, acelerando sua cadeira de rodas motorizada, que carrega uma bandeirinha da China
Chinês em Cadeira de Rodas (Foto: Douglas M Paine via VisualHunt)

Agora chegamos no ponto que queria destacar: a atenção de todo uma nação para menos de 10% de sua população! Sempre vi países governando para a maioria, para a massa. Afinal de contas, o que vale é ter uma boa de uma massa crítica a seu favor, falando bem de você não é mesmo? Pois é, a China tem mostrado que não é “só” para a maioria. Mas “também” para ela.

Sinceramente desconheço detalhes da gestão pública chinesa ou de qualquer outro aspecto desta cultura milenar a ponto de encontrar justificativas para um baixo contingente de pessoas com deficiências no país. Mas o fato é que, com essa atitude, o premiê chinês mostrou que, apesar de percentualmente inexpressivo, esta parcela de cidadãos merece ser amparada e assistida como qualquer outro segmento da população, sejam idosos, crianças etc. Foi exatamente isso que me chamou a atenção para esta notícia. Bom, não é à toa que a China é o berço de tanta sabedoria desde os tempos mais remotos né?

O referido decreto, assinado agora em Fevereiro, foi batizado de “Estatuto de Prevenção da Deficiência e Reabilitação da Pessoa com Deficiência”. O documento, composto de seis capítulos, entrará em vigor a partir do primeiro dia de Julho de 2017 e terá importante papel na resolução das questões sobre a deficiência, bem como no desenvolvimento contínuo de programas de prevenção da deficiência e da reabilitação das pessoas com alguma deficiência. O estatuto, por exemplo, exigirá que os responsáveis façam o monitoramento constante dos fatores que provocam a deficiência, bem como priorizem seus trabalhos nas regiões, indústrias, órgãos e populações com alto risco de terem alguma deficiência. Muito bacana.

Faço votos que este novo decreto surta os efeitos esperados e que beneficie cada um dos 6,5% de chineses. Cuidar de pessoas independe do gênero, etnia, idade, condições físicas e também se é “maioria”. Para cuidar de gente basta ter uma precisando de ajuda. E vontade no coração para fazer o bem. Como diz um velho provérbio chinês:

“Se você quer um ano de prosperidade, cultive trigo.
Se você quer dez anos de prosperidade, cultive árvores.
Se você quer cem anos de prosperidade, cultive pessoas.”

Fonte: China Disabled Persons’ Federation

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