10 coisas que você sempre quis saber sobre pessoas com deficiência mas tinha medo de perguntar

Confessa, vai. Você tem um monte de perguntas sobre o universo da pessoa com deficiência mas nunca achou respostas. Seja porque perguntou para quem também tinha vários pontos de interrogação na cabeça ou porque acabou esquecendo de pesquisar sobre o assunto mesmo. Bom, não importa o motivo. Neste post vamos responder a algumas das perguntas mais comuns de pessoas sem deficiência sobre o dia a dia da pessoa com deficiência. E se houver alguma dúvida não atendida, mande para sua perguntinha pra gente, ok?

Jovem tímida com leque verde

1. Qual o termo correto para se referir à alguém com deficiência?

Esta talvez seja a dúvida mais comum e que a grande maioria de leigos acaba cometendo equívocos. Em alguns casos, a gente tenta ser ‘politicamente correta’ e acaba usando de eufemismo, o que só piora a situação. O termo correto e aceito internacionalmente é “pessoa com deficiência”. Qualquer termo fora este, será impreciso ou poderá até mesmo gerar algum mal estar junto à pessoa. O termo “pessoa com deficiência” está em vigor desde 2006 quando houve a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU e que foi ratificado no Brasil com efeito de emenda constitucional, através do Decreto Legislativo 186 em 2008. Então, risque estes termos da sua caderneta: “portador de deficiência”, “deficiente” e “portador de necessidades especiais”.

2. O que devo falar ao me apresentarem a uma pessoa com deficiência?

Que tal começar com um “olá! tudo bem?” e dizer qual seu nome. Emendar algo tipo “prazer em conhecer” cai bem. Lembre-se: você está à frente de uma PESSOA. Feita de carne e osso. Com sonhos, visões de mundo, medos, expectativas, habilidades… Assim como você. Então, trate-a normalmente como você faz com todos. Fácil, não?!

3. Por que as pessoas têm deficiências?

Ao contrário do que muitas pessoas possam achar, no Brasil e no mundo, as grandes causas de deficiência não têm nada a ver com genética e nem são hereditárias. Em outras palavras, poucas deficiências são congênitas. Na maior parte dos casos elas são adquiridas em vida. Infecções causadas pela falta de saneamento básico, falta de assistência pré-natal, erro médico na hora do parto e, principalmente, acidentes de carro e com arma de fogo são algumas das causas de as pessoas terem deficiências. Ou seja, ninguém está protegido. Todos somos vulneráveis.

4. Todo mundo que tem a mesma deficiência se conhece?

Não, o universo composto por pessoas com deficiência não é tão pequeno se pensa. No mundo todo, 10% da população tem pelo menos uma deficiência, seja leve ou grave. No Brasil, este percentual é 25%!  Mesmo em se falando em mais de 45 milhões de brasileiros, é muito difícil que a maioria das pessoas com deficiência se conheçam e sejam amigas em redes sociais, embora haja um grande sentimento de “grupo”, de “comunidade” entre boa parte das pessoas. Então, não parta do pressuposto que a pessoa com deficiência que você acabou de conhecer seja amigo ou amiga de “fulano” ou “beltrana”.

5. Como as pessoas cegas usam a internet?

Pessoas cegas usam internet e muito! Quem não usa, nos dias de hoje né? Graças a softwares de voz que lêem tudo que está na tela, as pessoas com cegueira ou baixa visão podem surfar pelos sites que bem entenderem. Bom, desde que os sites estejam preparados para serem lidos por estes softwares, é claro! Quando isto ocorre, dizemos que o site está acessível. Estes leitores de telas podem ser instalados em qualquer dispositivo equipado com multimídia. No caso do uso em computadores, os softwares mais comuns são: JAWS, NVDA, Virtual Vision e DOSVOX. No caso de dispositivos móveis, os mais conhecidos são o Talkback (plataforma Android) e o VoiceOver (plataforma iOS), que por sinal já vêm instalados nos smartphones e tablets.

6. Todo surdo é mudo?

Não, nem sempre. A pessoa com surdez na maior parte dos casos apresenta os órgãos fonoarticulatórios íntegros e tem todo o potencial para desenvolvimento da fala. Não é porque é surdo que se torna automaticamente mudo. A mudez autêntica é extremamente rara e decorrente de lesões cerebrais. Fonte: Somos@Telecentros

7. Deficiência intelectual e doença mental: são a mesma coisa?

Nãão! São coisas totalmente diferentes. A deficiência intelectual (e não “mental”, como alguns dizem) pode ser conseqüência de uma doença, mas ela não é uma doença; é uma “condição”, uma determinada limitação. Além de doenças, pode ser causada por acidentes, condições socioeconômicas desfavoráveis que levam à privação de estímulos, desnutrição, por fatores orgânicos, hereditários e por fatores genéticos. Vale a pena frisar que, por não ser uma doença, não pode ser contraída por meio de contágio. Ou seja, ninguém vai “pegar” nada convivendo com pessoas com Deficiência Intelectual. Na verdade, pode pegar é um carinho e uma amizade muito grande! rs. Fonte: APAE Limeira

8. Toda pessoa com deficiência auditiva é surda?

Não, necessariamente. Todo surdo é alguém com deficiência na audição. No caso, não conseguem escutar nada. Mas nem toda pessoa com deficiência auditiva é surda. Entendeu? Há outros níveis de deficiência auditiva, que pode ser leve até moderada. Neste caso, inclusive, existem pessoas que se comunicam através da linguagem oral, sem muitos problemas, principalmente se a perda auditiva foi desenvolvida na vida adulta.

9. Pessoas com deficiência intelectual são mais carinhosas?

As pessoas com deficiência intelectual são, em geral, bem dispostas, carinhosas e gostam de se comunicar. Mas, não existe esse negócio de “MAIS” ou “MENOS”. Se a pessoa é gentil e amável é porque tem muito a ver com a sua personalidade, sua educação, seus valores. Ou seja, da mesma forma que funciona com qualquer pessoa. O fato de se ter ou não uma deficiência não é determinante. 

10. Pessoa em cadeira de rodas fazem sexo?

Muito, às vezes. Rs. Sexualidade é algo muito mais amplo que sexo e, consequentemente, sexo é muito mais que “encontro de genitálias”. No caso de pessoas com lesão medular, por exemplo, apesar de pouca ou nenhuma sensibilidade da cintura para baixo, estas pessoas sentem prazer através do tato em outras partes erógenas do corpo (lembram daquela cena da massagem na orelha no filme Intocáveis?) ou de estímulos do olfato e visão. Tudo isso vai ajudar a irrigação sanguínea, ao aumento do batimento cardíaco e o restante da história você já imagina, né?! Então, anota aí: a pessoa com deficiência motora, seja homem ou mulher, pode ter vida sexual ativa, pode namorar, casar e, na maior parte dos casos, ter filhos.

E aí, curtiu? Se tiver perguntas, mesmo as cabeludas, mande para a gente! Até a próxima.

Você também pode gostar:

11 thoughts on “10 coisas que você sempre quis saber sobre pessoas com deficiência mas tinha medo de perguntar

  1. Muito bom!

    Tive contato intenso com um parente com deficiência durante a infância e, mesmo assim, me pego sem jeito ao tratar com pessoas com deficiência no dia a dia.

    As informações do artigo foram bem esclarecedores.

  2. Sou mãe de uma mulher linda, maravilhosa, karla Moreno, que desde 2011 se encontra em cadeira de rodas ( sofreu uma trombose no cérebro, por conta de anticoncepcional)e passamos por todas estas perguntas, mas não nos afeta, pois, lidamos com muita classe, rs

  3. Muito esclarecedor! Adorei! Mas fiquei com uma dúvida: como posso abordar uma pessoa com deficiência visual para ajudá-la no metrô, por exemplo? Fico na dúvida se pergunto de cara se ela precisa de ajuda…. Não sei se posso ofender…. bjs

    1. Oi Daniela. Ficamos felizes que tenha curtido nosso artigo. Esta dúvida sua é bem recorrente também. Adicionaremos ela e sua respectiva resposta em uma próxima publicação. Neste caso, o correto é isso mesmo, perguntar se precisa de ajuda. Que é exatamente como fazemos com idosos, adultos com muitas sacolas nas mãos, crianças que parecem perdidas dos pais. Se a pessoa cega aceitar ajuda, não pegue imediatamente ela pelo braço. Na verdade, nem toque nela. rs. Apenas ofereça o braço e deixe que ela o achará e segurará nele. Você deve se colocar ligeiramente à frente da pessoa e conduzi-la. Pronto. É importante sempre avisar a pessoa cega quanto à proximidade de obstáculos, como degraus, buracos, outras pessoas… E principamente quanto aos obstáculos aéreos, que são os mais perigosos porque a bengala não os “enxerga”. Então, alerte e se possível desvie de orelhões, placas de sinalização, galhos de árvores, toldos de barracas etc… Esperamos ter ajudado. Qualquer coisa, procure a gente. Boa semana!

  4. A afirmação “Apesar de pouca ou nenhuma sensibilidade da cintura para baixo,…” é parcial, pois em geral se referem a pessoas com algum tipo de lesão na medula, ou seja, há pessoas com deficiência, usuárias de cadeiras de roda que possuem plena sensibilidade e funções inalteradas.

  5. Adorei!!! No próximo artigo por favor se puder cite que não é necessário infantilizar o deficiente… vejo ate pessoas bem esclarecidas fazendo isso, tratando um deficiente adulto (as vezes pai de familia e tudo mais) como criança . Por favor, apenas hajam normalmente ao falar ou interagir com um deficiente! Os obstáculos ja são tantos, aí vem pessoa falando com tom de voz de professora do jardim… ninguem merece!

    1. Olá Fabiula,
      Ficamos felizes que tenha gostado. Ótima dica que nos enviou. Estamos preparando mais um post sobre o assunto e faremos esta inclusão, ok? Temos o seu consentimento? rs. Grande abraço e boa semana!

Comentários desativados