Representatividade e Equidade como Reparação

Eu tinha dois anos, quando o filme “ Adivinhe quem vem para o jantar”, estrelado por Sidney Poitier e Katharine Hepburn, foi lançado. Na película, uma jovem americana branca criada sem preconceitos decide apresentar seu noivo, um jovem negro, para seus familiares. Vale a pena assistir! Mesmo tanto tempo depois. E se deparar com o mesmo estranhamento das famílias diante do casal. Lembro de minha avó branca casada com meu avô negro e que também sofria o mesmo estranhamento das famílias, dos vizinhos, dos colegas de trabalho.

Mesmo no Brasil, um país miscigenado, onde mais de 56% da população se declara negra ou parda, ainda somos vistos como minoria. Sofremos preconceito e não nos vemos representados nas faculdades, no legislativo, nos cargos de comando das empresas. Nosso progresso é lento e sofrido. Desde pequena, ouvia meu pai dizer que a educação seria a minha grande oportunidade de mudar a história da minha família. Como na frase inspiradora de Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Assim eu segui, enfrentando as dificuldades financeiras para estudar em escolas particulares, pleiteando bolsa de estudos, descontos, lutando para não desistir. Fui a única negra na formatura da faculdade e, em muitas empresas, a única negra ocupando cargos de chefia.

Esse cenário é que nos coloca como minoria. A oportunidade não acontece. O perfil sugerido desde o estágio já bane o jovem negro.

Para que haja representatividade, parafraseando a ativista americana Angela Davis, “não adianta não ser racista é preciso ser antirracista”.

Será necessário um olhar inclusivo das empresas. Mesmo com as cotas para jovens negros nas universidades, ainda levará muitos anos para que haja de fato igualdade nas oportunidades. Perdemos mais de 300 anos como escravos. Fomos banidos da sociedade com a abolição da escravatura.

Desejo que as políticas públicas e privadas ajam com equidade, respeitando e valorizando as diferenças para que possamos chegar para o café da manhã, almoço e jantar sem estranhamentos.

Liliane Santos é publicitária, mãe de dois adolescentes, sócia do Estúdio Melão, uma empresa de comunicação que realiza conteúdo e conexões com propósito.

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