Pelo direito de viver das pessoas trans: um breve relato

Há 13 anos, o Brasil está no topo da lista de países que mais mata pessoas transgênero no mundo. A nossa expectativa de vida é de aproximadamente 35 anos. Isso sem contar outros recortes sociais que podem diminuir ainda mais essa idade. Estamos lutando por nosso direito mais básico: a vida.

Dentro da sociedade que pertencemos, o trabalho é um dos pilares de suporte às nossas vidas. É através dele que temos condições para nos manter com dignidade e alcançarmos nossos objetivos. Não entrando em questões sócioeconômicas sobre educação e segurança, mas pensando exclusivamente no trabalho. Como podemos incluir pessoas trans no mercado? Como transformar o ambiente empresarial em um local seguro e acolhedor?

Eu, infelizmente, não tenho todas essas respostas. São questionamentos que eu me faço e acredito que, ao falar de inclusão, são questões de extrema importância. Mas eu tenho algumas experiências que gostaria de compartilhar sobre como foi a minha inclusão.

Quando me entendi como uma pessoa trans eu já estava inserido no mercado. Eu tive o privilégio de não passar pelas dificuldades de tentar procurar o primeiro emprego na sombra da discriminação.

No meu emprego atual, depois de muita reflexão, eu decidi que gostaria que usassem o nome que eu escolhi para mim também no trabalho. Eu fiquei semanas com medo e indeciso se deveria fazer aquilo, mas era esmagadora a dor de fingir ser alguém que eu não era 8 horas por dia. Já fazia um tempo que eu procurava uma empresa acolhedora e compreensiva, e eu sabia que o lugar que eu estava agora era assim.

Depois de conversar com o RH, gestão e coordenação, eu tive a certeza que de alguma forma tudo iria ficar bem. Prontamente meus colegas começaram a me chamar do nome e gênero que eu me sentia mais confortável. Claro que nem tudo foi fácil, algumas pessoas obviamente estranharam. Os questionamentos às vezes aparecem, mas acima de tudo houve respeito, algo raro de encontrarmos no país que mais mata pessoas transgênero.

Por fim, eu gostaria de deixar um conselho valioso: se estiver na dúvida sobre como se referir ao seu colega, pergunte. Não é vergonha nenhuma perguntar como a pessoa se sente mais confortável de ser chamada, incluindo nome e pronome! As pessoas são diversas, múltiplas e coloridas. Não precisamos esperar encaixar elas em lugar nenhum.

Allie Azevedo é designer, ilustrador e pessoa trans. É formado em Design Digital na Universidade Federal de Pelotas e atualmente trabalha na empresa Mesa Mobile Thinking como Product Designer.

Fontes:

https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/expectativa-de-vida-de-trans-no-brasil-se-equipara-com-idade-media-diz-advogada/

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