Acessibilidade é um termo que significa a inclusão de pessoas com qualquer tipo de deficiência, no que se refere ao uso de serviços, produtos e informações, por meio de recursos adequados às suas necessidades.
No Brasil, tem-se o Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei que regulamenta as normas que devem ser atendidas pelas instituições públicas e privadas. Todavia, o Brasil está longe de ser um país exemplo nesse quesito, já que, apesar da existência de inúmeras leis que garantem o direito à acessibilidade, é perceptível um abismo entre o que elas garantem e a realidade vivenciada pela população, tanto nos ambientes públicos como nos virtuais.
O não cumprimento dessas normas de acessibilidade pauta-se na falta de interesse, na desinformação, na economia de gastos e principalmente pelo fato de a fiscalização não ser realizada como deveria. O Estatuto prevê, inclusive, que as instituições culturais sejam acessíveis a todos os públicos, mas podemos constatar, ainda hoje, a falta quase total de acessibilidade para pessoas com baixa acuidade visual, entre outras.
Levantamento divulgado pelo IBGE, baseado no Censo de 2022, mostrou que a deficiência visual, em números, é a mais representativa das deficiências e que atinge 7,9 milhões de pessoas, entre os quais eu me incluo, sou pessoa com degeneração macular.
Na degeneração macular, por exemplo, há um prejuízo na visão central, sendo necessário o uso de fontes maiores na escrita e também mais contraste, dependendo do grau menos intenso ou mais intenso do prejuízo provocado na mácula, mas, em vez disso, nota-se uma preocupação em “embelezar” os sites e aplicativos usando cores e fontes inadequadas.
A ausência de meios adequados às dificuldades visuais impossibilita estas pessoas com deficiência de realizarem atividades de seu dia a dia, como por exemplo:
- ler rótulos do que estão comprando e conferir preços;
- participar de atividades culturais, como visitas a museus e similares;
- acessar sites e aplicativos governamentais, de bancos, de planos de saúde e outros;
- ler (há livros com uso de cores e fontes inapropriadas)
- e também dirigir (há pontos sem iluminação, faixas de trânsito apagadas, guias de calçadas sem pintura e outros).
Resumindo: essas inadequações excluem a pessoa com deficiência visual da vida social e cultural e tornam-na, inclusive, dependente de familiares para realizar tarefas para as quais ele está completamente apto.
Diante desse cenário, percebe-se que o Brasil precisa evoluir muito para promover acessibilidade a todos. Para isso, é fundamental que o Governo, aliado a empresas privadas, realmente realize melhorias para que o termo “acessibilidade” adquira realmente o seu significado: inclusão de pessoas, com qualquer tipo de deficiência, em todos os ambientes da vida social e cultural.
Maria Alcina Almeida Vaz Masson é Professora de Português, Inglês e Alemão, formada pela USP e tradutora de Alemão também pela USP. Trabalhou como professora de Alemão no Goethe Institut e 23 anos no Colégio Visconde de Porto Seguro, onde se aposentou. Trabalhou durante vários anos, de forma autônoma, preparando alunos para os Certificados de Proficiência na língua alemã. Criadora do perfil @versemlimite no Instagram. É atualmente presidente de um board hoteleiro.


