Quatro pessoas em reunião, sendo uma cega e outra em cadeira de rodas.

Investimento na Acessibilidade x Custo da Rotatividade

O relatório elaborado pelo Disability:IN em parceria com o LinkedIn e que foi recém publicado agora em 2026 constatou que profissionais com deficiência estão mudando de empresa — e, consequentemente, de setores e ocupações — para alcançar cargos mais altos.

O estudo em questão se chama “Momentum at Work: Disability and Career Mobility” (Momentum no Trabalho: Deficiência e Mobilidade de Carreira). Este documento revela como talentos com deficiência estão impulsionando um novo dinamismo nos mercados de trabalho e o que isso significa para as organizações mais competitivas da atualidade.

Para esse estudo, foram utilizados dados de 2023 a 2025 de quase 10 milhões de membros do LinkedIN de sete países diferentes: Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Quem ficou na mesma empresa

Segundo o estudo, a grande maioria dos trabalhadores com deficiência permaneceu no mesmo emprego e na mesma empresa, mostrando estabilidade. Entre essa população, porém, poucas avançaram em suas carreiras por conta de promoções internas (entre 4% e 10% do total). Dentre as pessoas que tiveram avanços em sua carreira dentro da empresa, de 25% a 30% delas galgou para postos mais elevados. Aqui, vale um destaque para os números comparativos entre pessoas com e sem deficiência. Em todos os sete países, as pessoas sem deficiência avançaram mais hierarquicamente dentro das empresas do que as pessoas com deficiência. O percentual de pessoas com que ficaram no mesmo nível ou até tiveram redução do nível de senioridade (conhecido como “downgrade”) foi mais visível, o que pode ser um dos motivos de ter havido maior evasão para outras empresas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 8,4% das pessoas com deficiência mudaram de cargo dentro da mesma empresa, um percentual muito semelhante ao de pessoas sem deficiência (8,7%). No entanto, quando se observa os percentuais de pessoas que atingiram um cargo superior do atual, Entre as pessoas com e sem deficiência, estes percentuais foram 35,6% para pessoas com deficiência e 37,8% para pessoas sem deficiência.

Já no Brasil, as lacunas foram maiores. Apenas 7,6% das pessoas com deficiência mudaram de cargo dentro da mesma empresa, enquanto este percentual foi de 10% para as pessoas sem deficiência. Uma diferença de mais de 2 pontos percentuais. Quando se observa os percentuais de pessoas que atingiram um cargo superior do atual nas empresas aqui do Brasil, apenas 27,4% das pessoas com deficiência subiram de nível. Entre as pessoas sem deficiência, este percentual foi de 35,2%, ou seja, uma diferença considerável de quase 8 pontos.

Quem mudou de empresa

O relatório mostra que, na média, mais de 30% das pessoas com deficiência mudaram de empresa entre 2023 e 2025. Entre os países participantes da pesquisa, as taxas de troca de empresa por parte de pessoas com deficiência foram as seguintes:

    • Brasil: 32,5%

    • EUA: 32,6%

    • França: 33,4%

    • Espanha: 34,5%

    • Reino Unido: 35,5%

    • Canadá: 36,7%

    • Alemanha: 40,2%

Sabe-se que uma alta rotatividade pode custar milhões aos cofres das empresas. E números na casa dos 30% é bem alto e preocupante.

Os custos gerados pela rotatividade de colaboradores com deficiência poderiam ser facilmente evitados com a adoção de um plano de acessibilidade como ferramental estratégico pelas empresas. Acessibilidade como pilar organizacional é antídoto para retenção e progressão de carreira das pessoas com deficiência. Estudos anteriores já comprovaram que o custo de adaptações no ambiente de trabalho é muito menor do que o custo da rotatividade (turnover).

Análises anteriores realizadas pela JAN (Job Accommodation Network) já comprovaram que a maioria das adaptações para pessoas com deficiência não gera custo algum para o empregador. Já a troca de um funcionário com deficiência pode custar uma boa soma de dinheiro.

Em outras palavras, investir em promoções e acessibilidade com soluções de baixo ou nenhum custo pode economizar milhares em despesas evitáveis.

Adaptações no ambiente de trabalho: custo ou investimento?

Empresas que já adotaram o paradigma da acessibilidade como investimento, como algo que é bem-vindo para a saúde e progresso dos negócios, conseguem medir os ganhos e benefícios não apenas na retenção de talentos, mas no aumento da produtividade das equipes. Agora, as empresas que insistem em alimentar o velho paradigma de que acessibilidade é custo, é despesa, ou seja, é algo nocivo e ser evitado a todo jeito, colhem amargor depois.

A Gallup estima que as empresas estadunidenses perdem um trilhão de dólares todos os anos devido à rotatividade voluntária! Além disso, afirma que o custo de substituir funcionários pode variar de 50% a 200% do salário do colaborador, sendo que os custos mais altos de rotatividade estão associados a cargos de maior senioridade. Em outras palavras, a Gallup nos mostrou que uma empresa de 100 funcionários e que tenha uma média de salário anual de R$ 250.000 por pessoa pode ter um custo de substituição entre R$ 3,3 milhões e R$ 13 milhões por ano!!

A JAN (Job Accommodation Network) levantou dados de uma pesquisa realizada com 26.028 empregadores, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2024. Os empregadores pesquisados incluíam aqueles que haviam previamente contatado a JAN em busca de informações sobre adaptações no local de trabalho, a Lei dos Americanos com Deficiências (ADA) ou ambos.

Entre os participantes da pesquisa, 1.425 empregadores (26%) forneceram informações relacionadas ao custo das adaptações que haviam implementado. 61% desses respondentes relataram que as adaptações realizadas não tiveram custo algum para serem implementadas. Exemplos: modificar o horário de trabalho de um funcionário ou alterar uma política da empresa. Outros 33% empregadores relataram que suas adaptações geraram uma despesa única, com custo mediano de US$ 300 (algo em torno de R$ 1.500). Algumas adaptações incluíam fornecer um software de leitura de tela ou instalar um abridor automático de portas para a pessoa com deficiência da empresa. E outros 6% da amostra disseram que suas adaptações resultaram em custos contínuos, com custo anual mediano de US$ 2.400 (em torno de R$ 12.000). Esses investimentos podiam ser o fornecimento de intérprete de língua de sinais durante reuniões, por exemplo.

Os empregadores que realizaram adaptações no local de trabalho relataram que os benefícios superaram amplamente quaisquer custos associados. Esses benefícios incluíram:

    • Retenção de funcionários valiosos;

    • Melhoria da produtividade e do moral;

  • Redução dos custos de compensação trabalhista e de treinamento
 

Reflexões (ou Provocações) Finais

Vamos lá. Responda a essa pergunta simples. Acredito que você não terá dificuldades na resposta. O que é melhor para a saúde e longevidade de uma empresa: perder 1 trilhão de dólares todo ano ou aumentar o faturamento em 1 trilhão de dólares, mesmo que tenha que investir de 1% a 10% desse montante em acessibilidade?

Sim, ainda não existe um cálculo que demonstre o quanto de retorno financeiro os investimentos feitos em acessibilidade geram às empresas. Mas o fato de não haver essa “fórmula mágica” não significa que o impacto não exista! Talvez a lógica que devamos adotar seja parecida com a lógica da dieta equilibrada, a prática de atividade física e o cultivo de boas amizades para que se tenha uma vida saudável, feliz e longeva.

Já sabemos que uma conduta saudável com nosso corpo, mente e espírito vai influenciar positivamente nossa existência. Por que não adotar essa mesma crença na relação acessibilidade e produtividade? Afinal de contas, o que é investir em acessibilidade?

Investir em acessibilidade é adotar e cultuar boas práticas existentes para que todas as pessoas, independente de suas características físicas, habilidades ou competências, possa ser ela mesma na sua plenitude no ambiente de trabalho. Essa boas práticas passam pela arquitetura, instrumentalização, processos, normas, comunicação, tecnologias e, principalmente, atitudes! Boas práticas como a de comer direito, beber água, ler textos edificantes e praticar exercícios.

O conjunto de boas práticas acessíveis e inclusivas impacta positivamente a vida das pessoas com deficiência. As pessoas ficam mais alegres, sentem-se melhor. E quem é feliz no trabalho, produz mais e melhor, certo?

Os meus clientes que já investem em acessibilidade, conseguem perceber os primeiros impactos (e frutos) nos âmbitos emocional, social e financeiro de seus negócios.

Adote a acessibilidade como estilo de vida. Estilo de vida da sua empresa. E ela terá vida longa!

Fontes:
Estudo Disability:IN e LinkedIN – Momentum at Work: Disability and Career Mobility

Pesquisa Gallup sobre Custos por Falta de Acessibilidade no Trabalho

Pesquisa JAN – “Low Cost, High Impact”

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